UM POUCO DE POESIA EM MIM

Outro dia me deu uma vontade imensa de sair de mim. De ir embora pra algum lugar que eu pudesse descansar. Somente sei que não deu e não dá, no momento, pra fazer o que de mais quero. Não quero me magoar, em não desistir, apenas existir. Por enquanto, no ventre, no seio da terra, quero estar, mais adiante resolvo, ou não, apenas vou...

RECLAME DA LÃ TECIDA

A blusa que te veste
Me acaricia
Nas tuas linhas tecidas... teus contornos imensos...
Moldo seus braços que não estão
Ela me abraça e sente falta
A falta de mãos
E ela reclama, ainda que lã
Do pouco caso das mãos ausentes
E exige de mim
Que me contente
Contente
Da falta de dedos...
E braços...
Que poderiam segurá-la
Me pede socorro,
Pois só
Sente-se derramada
Perto de outras roupas tão metidas
A blusa me estende os braços
E pra não deixa-la só
Socorro
Me agarro a ela que fica aquecida
Se sente protegida
E não mais se assombra com a ausência
De mãos... braços... calor...
Nas linhas alinhavadas dos fios
Nos perdemos
Ela com saudades de ti
E eu?
Saudades?
Sim.

PRA VOCÊ

Estou embebida de vontade de te ter
Embebida de você
Meus olhos em sua direção
Miram e medem distância alguma para outro olhar
Cristalino o seu
Me mostra que sou
Ainda não
Somente quando
Tua
Graça
Luz teu prazer, álibi e bebida
Embebido você de mim e eu de vontade de te ter.

Delírio

Estava suspensa
Me agarrei na nuvem mais tensa
Me imaginei voando
Vôo
Me vi em seus braços
Confesso, gostei
O telefone tocou, acordei
Os seus olhos no espelho
Me delirou,
A distância era simples mas estava ali
Eu que era menina, quis te ter homem
Te ter por toda a noite
E dias que virão...

Você

Amo tudo o que vem de você
Seu sorriso
A janela da alma
Amo suas mãos que sorrateiramente
L
E
V
A
N
T
A
Meu vestido
Amo seus sentidos
Amo sentir o calor dos seus lábios
O tilintar da sua língua roçando com prazer a minha
Amo ser sua
Ainda que não
Ainda...
Amo a aura do presente
E a esperança do futuro
Com você
Amo te acompanhar nos delírios de prazer
Amo
V
O
C
Ê

EU ESFINGE

Ávida eu, estive em silêncio
Escondida de mim, do mundo, de tudo
Sem que soubesse eu era esfinge
Apenas era
E na escuridão do meu silêncio
Uma chama
Me chama, clama minha presença
Pensei em sair e ver
Fora da minha caverna que era
Bastante sossegada
A luz lá fora
Da casca que agora
Me assombra
Me dizia com voz tenaz:
“Olhe-me sempre sem medo, quero seu sossego”.
Pelos olhos da casca eu vi, lá fora a luz que agora.
Me assombra
E na divisa da casca da esfinge
Eu
Via bem perto a voz e a luz pronunciar:
“Decifro-te”
Eu esfinge ouvi as palavras
E não mais podia ou sabia quem era
Não podia ser mais e nem saber se
Devoro-te
Sem medo, sem culpa, fora do meu sossego.


Eu Pretérito Você Futuro

Junto de você agora,
Te amaria loucamente e te chamaria de meu.
Noite adentro
Te engoliria pra dentro de mim
E te esconderia no meu segredo

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